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Em 2002, a Nokia era a marca de celular mais reconhecida do planeta. E para apresentar sua nova linha colorida — aparelhos vermelhos, azuis e pretos que cabiam na palma da mão — a empresa escolheu o nome mais reconhecido do mundo: Pelé. De smoking, diante de um cenário completamente branco, o Rei apresentava celulares simples, populares e quase indestrutíveis. Bateria que durava dias. Design que não quebrava se caísse. Cores que diziam algo sobre quem usava o aparelho — numa época em que celular ainda era novidade para a maioria das pessoas. Hoje, esse comercial funciona como uma cápsula do tempo perfeita. Duas marcas no auge da sua relevância, num mundo que ainda não tinha redes sociais, nem smartphone, nem o conceito de que o celular seria o centro da vida de todo ser humano.

Mais de 1 bilhão de vagas. 27 países. O 2026 Global AI Jobs Barometer da PwC é o retrato mais completo que já foi produzido sobre o que a IA está fazendo com o mercado de trabalho global — e o Brasil está incluído na análise. Três números que resumem o que o estudo encontrou: empresas mais expostas à IA têm 40% mais crescimento de produtividade. Crescem 52% em headcount contra 36% das menos expostas. E pagam salários 24% maiores contra 17%. Mas o dado que mais me chama atenção está em outro lugar. As vagas de nível júnior mais expostas à IA que estão sendo “seniorizadas” — ou seja, que começam a exigir habilidades de liderança, pensamento estratégico e gestão de pessoas — cresceram 35% desde 2019. As que não foram seniorizadas caíram 10%. O mercado não está substituindo humanos por IA. Está substituindo humanos que fazem trabalho básico por humanos que fazem trabalho complexo — com IA como infraestrutura. Quem entender isso agora tem uma vantagem considerável sobre quem ainda está debatendo se deve ou não adotar IA.

A HMD Global descontinuou todos os smartphones Nokia em 2024. O mundo deu de ombros — afinal, a Nokia já havia sido declarada morta umas três vezes antes disso. E então vazou o Nokia 300 4G Powerbank. Um feature phone básico, tela de 2,4 polegadas, rádio FM, lanterna de LED — e uma bateria de 3.750 mAh capaz de recarregar outros dispositivos. Ou seja, tecnicamente você compra um PowerBank e leva um celular de brinde. Sem pretensão de competir com iPhone ou Samsung. Só o básico funcionando bem, com autonomia acima da média e o nome Nokia na frente. É um aparelho secundário que provavelmente vai durar anos sem precisar de atualização, conserto ou capa protetora. Não é o produto mais empolgante do mercado — e a Nokia claramente não está tentando ser. Está apenas ocupando o espaço que sobrou depois que todo mundo foi embora para fazer smartphone caro. Tem mercado para isso? Tem. É suficiente para ressuscitar a Nokia? Provavelmente não. Mas é honesto — e isso, pelo menos, combina com a marca.

Messi entrou na final com um histórico impressionante contra os jogadores espanhóis. Já havia enfrentado metade do elenco de La Roja, com retrospecto amplamente favorável — 62 gols em 81 confrontos individuais. Conhecia cada jogador pelo nome, pelo estilo, pelos pontos fracos. Ele mesmo disse: “É uma equipe que conheço bem.” E mesmo assim, a Espanha venceu por 1 a 0 na prorrogação e é bicampeã do mundo. O gol de Ferran Torres no segundo tempo extra encerrou o sonho do Messi nessa Copa — e respondeu com clareza uma das perguntas mais antigas do esporte: o que derrota uma estrela verdadeiramente extraordinária? Um coletivo que joga junto, que não para, que aguenta a pressão durante 120 minutos e que tem paciência para esperar o momento certo. A Espanha não tentou neutralizar Messi. Tentou ser melhor do que a Argentina como time. E conseguiu. No futebol e nos negócios, existe um limite para o que uma única pessoa consegue carregar — por mais genial que ela seja. O que sustenta no longo prazo é sempre o coletivo.

Tenho uma memória que carrego com muito carinho e que num dia como hoje faz ainda mais sentido compartilhar. Tive a honra de conhecer o Pelé pessoalmente — e ele assinou a minha camisa e a do meu filho Guilherme @grecco_gui . Você para na frente do Rei e não consegue fingir que é uma situação normal. Pelé não era só um jogador extraordinário. Era uma presença que transcendia o futebol — uma combinação de grandeza, humildade e humanidade que pouquíssimas pessoas no mundo conseguem carregar ao mesmo tempo. Num dia de final de Copa do Mundo, eu guardo com gratidão essa memória.

Esta Copa de 2026 reuniu uma geração extraordinária. Messi com 39 anos reescrevendo recordes. Cristiano Ronaldo marcando em seis edições diferentes — um feito que pode durar gerações. Mbappé, Haaland, Vini Jr., Bellingham, Lamine Yamal, Pedri, Enzo Fernández — nomes que fizeram essa edição entrar para a história do futebol mundial. E com todo o respeito a cada um deles — porque o respeito é genuíno — o maior de todos os tempos continua sendo o Rei. Pelé é o único tricampeão da história. O mais jovem a fazer hat-trick numa Copa. O mais jovem a marcar numa final. Recordes que resistem décadas depois, intocados por qualquer geração que veio depois. Nenhum nome desta Copa chegou perto disso. E provavelmente nenhum chegará. O Rei é único. E insubstituível. 👑

Jude Bellingham estava no banco de reservas nesse dia, quando percebeu que o gandula ao seu lado estava com frio. Sem pensar duas vezes, tirou o agasalho e o entregou para o menino. O gesto viralizou. E depois, em entrevista, o gandula revelou que Bellingham é seu maior ídolo no futebol — e que aquele foi o melhor momento da vida dele. Não é a primeira vez. Bellingham já foi flagrado cobrindo uma criança com sua jaqueta durante a chuva em outro jogo. Não é pose. É padrão de comportamento. Existe uma diferença entre jogadores que são grandes dentro de campo e jogadores que são grandes fora dele. O segundo tipo é muito mais raro — e deixa um tipo de marca que nenhum gol consegue replicar. Para quem lidera times e negócios: as pessoas ao redor observam tudo, o tempo todo. Não só o que você faz quando está no centro das atenções. Especialmente o que você faz quando acha que ninguém está olhando.

Por mais de 60 anos, o gol mais bonito da carreira de Pelé existiu apenas na memória de quem estava lá. O “Gol da Rua Javari” — três chapéus consecutivos sem que a bola tocasse o chão — nunca foi filmado. Era uma lenda que vivia na palavra de quem viu. O Google DeepMind reconstruiu esse momento usando IA. Foram mais de 2.000 registros históricos levantados, 3.600 imagens de arquivo reunidas, testemunhas oculares entrevistadas e modelos avançados de geração de vídeo aplicados para recriar com precisão o estádio, as condições do dia, o uniforme e os movimentos de Pelé. O resultado é um mini documentário que está hoje no Museu Pelé, em Santos. Existe um uso da tecnologia que vai muito além da eficiência e da produtividade — é o uso que devolve ao mundo algo que o tempo havia levado. Esse projeto é um dos exemplos mais bonitos disso que já vi. Assista ao vídeo completo no Youtube: Reconstructing Pelé’s lost goal.

A internet chegou ao Brasil em 1981 — não para o grande público, mas para a academia. Um fio de cobre dentro de um cabo submarino conectava a FAPESP a um laboratório de física em Illinois, nos Estados Unidos, através da Bitnet. Pouquíssimas pessoas sabiam que aquilo existia. Treze anos depois, em 1994, a Embratel lançou o primeiro serviço de internet comercial do país — com 256 Kbps de conexão e apenas cinco mil usuários escolhidos para testar. Em 1995, o serviço se tornou definitivo. Em 1998, o Brasil já era o 19º colocado no mundo em número de hosts. Em 2007, o mercado de internet movimentava US$ 114 bilhões em comércio eletrônico. Hoje, mais de 102 milhões de domicílios estão conectados. O que essa linha do tempo mostra não é só a evolução de uma tecnologia. É a velocidade com que uma infraestrutura invisível pode reorganizar completamente a forma como pessoas vivem, trabalham e consomem. Quem apostou cedo nessa infraestrutura — quando parecia coisa de laboratório — construiu algo que o mercado levou décadas para dimensionar completamente.

Hoje é Dia do Palestrante. E eu fico pensando no quanto esse trabalho mudou a minha vida — ou talvez o quanto eu mudei para que esse trabalho fizesse sentido. Palestrar é muito mais do que falar bem. É a soma de tudo que você construiu antes de subir no palco — as experiências, as leituras, as conversas, os fracassos que você preferiu não esquecer porque ensinaram mais do que os acertos. Quando tudo isso encontra uma plateia disposta a ouvir, acontece algo que é difícil de nomear, mas impossível de fingir. Eu amo o que faço. Não porque é fácil — preparar uma palestra que realmente entrega algo é trabalhoso, exige honestidade e exige que você esteja disposto a continuar aprendendo para ter algo novo a dizer. Mas exatamente por isso vale tanto. Feliz Dia do Palestrante para quem escolheu transformar conhecimento em conexão. Muito obrigado a cada um de vocês que escolheu me ouvir palestrar.